Estaríamos "pecando" pelos excessos quando se trata de dedicação ao nosso pássaro?
Isso envolveria excesso de amor, de cuidados e preocupações exagerados? sim!
E se refletirmos sobre nossas atitudes, tudo o que fazemos, será que estaria sendo benéfico 100% tanto para ele quanto para você?
O que pode ser considerado como "suficiente", "normal" nessa troca de amizade entre você e seu pássaro?
DEPOIMENTOSMuitas vezes me peguei pensando nisso, o que não fez com que eu mudasse
minha conduta ou apego.
Costumamos sentir o frio que elas dificilmente sentem, oferecer nossas
guloseimas esperando surpreendê-las e agradar, quando nem palatáveis são para
elas.
E o que dizer do consumismo exacerbado por brinquedinhos, escadinhas,
gaiolas que lhes dão conforto e prazer, e que para elas não passam de meras
"istalações naturais", um pouco diferente, mas quase tão confortáveis quanto o
galho da amoreira cheia de folhas e frutinhas que fica ali fora.
E as "roupinhas" para as calos? E as FRALDAS!!!!
Acreditem...fraldas para calopsitas, afinal "a Sra não vai querer passear com seu filhote no shopping e
vê-lo fazer cocô na frente dos outros, não é?", justificam a vendedora de uma petshop.
Porque achamos que nossas calos serão muito mais felizes na enorme gaiola
King´s Cage produzida e importada dos EUA, cheia de portinhas, comedouros
especiais, banheira suspensa.....do que naquela gaiola simples e barata,
mas sempre limpinha? Alguma já reclamou das instalações precárias?
É obvio que estamos transferindo nossos valores culturais ao mundo das
calopsitas, que nem cultura própria tem. O mundo delas tem sim os valores do
instinto, da sobrevivência, do simplesmente viver.
Devemos então exigir que eles cantem, dancem, aprendam o hino nacional? Não
seria recompensas humanas demais? Mas é assim que criadores, pet shops e até
mesmo revistas vendem a imagem das nossas amadas calopsitas....
Recentemente li mensagens aqui que contavam em detalhes, comportamentos
indicativos de que as calos agem por amor ao outro. Ainda que o galhinho de
milheto levado no bico para o companheiro que chocava os ovinhos no ninho,
tenham sido apenas uma estratégia da natureza para garantir a sobrevivência da
espécie, quem não se emociona com um ato desses?
É muito duro constatar que, depois de 2 malas cheias de coisas para calos
vinda de Miami, de uma gaiola triplex vip da King´s Cage que custou uma fortuna,
de lâmpadas de aquecimento especiais (que aliás, elas se assustam com o tamanho
da cúpula de suporte), das 13 rações e mistura de semnetes diferentes sempre
disponíveis....tudo que elas precisam é de um dono carinhoso,
observador e minimamente disponível.
Ainda que sejam essas as evidências, há alguém aqui disposto a abrir mão
dos mimos que damos a elas e que tanto
nos agradam
tanto?
Lais Porto - São Paulo/SP
mai/2009
Na minha opinião, dependerá muito da carencia afetiva de cada indivíduo.Quanto menos carencias afetivas, maiores as possibilidades dos seres humanos
olharem para os animais ditos irracionais, como animais de espécies
diferentes das nossas e que precisam ser tratados de acordo,o que não significa falta
de carinho ou amor. O grande êrro de olhar com olhos de humanos são os exageros.O
meio termo seria o ideal.
Maria Alice - Rio de Janeiro/RJ
mai/2009
É claro que vamos enxergar as coisas através de olhos de humanos. Nós todos
somos humanos.
A meu ver, o ato de criar um animal a seu lado é uma espécie de contrato
entre ambos os envolvidos. O provedor oferece abrigo, comida e carinho, dentro
de seus limites. O receptor oferece em troca consolo e afeto, também dentro de
seus limites. Se pessoas criam calopsitas há décadas e a relação continua, é
porque dá certo, de um modo ou de outro. Animais que não se adequam bem ao
manejo humano simplesmente não perduram como animais de estimação populares. Por
isso é raro ver pessoas que criam arraias, harpias ou guepardos. Portanto, mesmo
fora de seu ambiente natural, elas continuam vivendo, e bem.
Pensem também que a cada criança que uma mulher coloca no mundo, também
tiramos uma pessoa de seu hábitat natural. Nenhum ser humano nasceu para viver
na Avenida Paulista ou nas favelas do Rio de Janeiro, e ainda assim vivemos, e
ousamos dizer que somos felizes! Não faz sentido falar de hábitat natural de uma
calopsita cujos tataravós nasceram em cativeiro num criadouro brasileiro, e
buscar reproduzir os desertos australianos na dieta e ambientação.
Não é erro ver as calopsitas através de olhos de humanos. Assim como não é
errado que elas nos vejam através de olhos de calopsitas. Como disse a sábia
amiga, não somos deuses... somos pessoas. E isso funciona bem. Quais são as
necessidades básicas de um ser humano? O que é necessário para uma criança ser
feliz? Amor, higiene, alimento, abrigo, diversão. Para uma ave isso se traduz em
carinho e atenção, água para banho, sementes e complementos, gaiola e ninho,
galhos e brinquedinhos. Pensem em quanto erramos ao criar nossos filhos ao
protegê-los e mimá-los demais. Não está tão longe dos erros que temos para com
nossos animais.
Em minha opinião, primeiro temos de refletir em como vemos os outros seres
humanos. Só nisso, já melhoraremos as atitudes que temos para com os animais que
convivem conosco.
Cristina Lim
Mai/2009
Eu acho que o grande problema, em alguns casos, é querer transferir para as calopsitas (e outros animais de estimação) sentimentos que temos por outras pessoas, e que porventura, não podemos ou não queremos expressar. Ou ainda, nós não temos com quem expressar.
Por mais que amemos esses anmaizinhos, eles não vão deixar de ser isso : animais.
Haroldo Batelli
Mai/09
Esse assunto é mesmo interessante, mas pressupõe-se que sabemos sobre o quê estamos falando. Confesso que não tenho como avaliar o que nós seres humanos sentimos de verdade apenas pelas palavras que escrevemos. Inúmeras vezes fazemos analogias das calopsitas a seres humanos, mas acho isso natural. Não consigo enxergar, com meu olhar leigo, nada de patológico nisso e penso que as pessoas têm consciência de que trata-se, sim, de um sentimento por um animal, não por um ser humano. Gosto das minhas aves, mas não tenho dúvidas de que trata-se de um sentimento fugaz, porque a vida delas é mais fugaz do que as nossas. Tenho consciência de que vou sentir muito quando alguma se for, mas estou preparado para isso.
Por outro lado, sobre aqueles que não distinguem ou exageram esse sentimento, não teria direito em dizer que estejam erradas. Se o sentimento dessas pessoas pelos animais são considerados exagerador (fora da média) ou se confundem com o sentimento pelos seres humanos, eu não tenho como avaliar.
No limite teríamos casos patológicos de pessoas que se afastam ou gostam cada ves menos dos seres humanos por gostar mais dos animais. Mas isso me parece ser menos comum do que pessoas que se isolam em casa e têm relacionamento com amigos virtuais na internet...
Bergy Bezerra
Mai/09